quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Nossa Brasilidade


   Onde está a legítima musica brasileira, com seus acordes e notas mirabolantes (muitas inventadas pelos próprios brasileiros) ? Atualmente é fácil a percepção de que a música nacional e também mundial se tornou fama, dinheiro e principalmente precária. Não se fazem mais letras e poemas como antigamente, onde o cotidiano era levado em consideração, mas sim escrevem basicamente sobre o amor – um amor cego – e sexualidade. Literalmente uma precariedade.


Considerando a nação em que vivemos, existem dois ramos de musicas mais ouvidas: Secular e Gospel. Primeiramente, vamos abordar a musica secular brasileira a seguir.

    Nos primórdios, a musica secular brasileira era erudita por ter muita influência dos colonizadores portugueses até o século XIX, porém já no século XX houve mudanças consideráveis que propiciaram a fusão de ritmos e elementos de vários países da Europa, África e América Latina, resultando assim a época de vanguarda, na qual foi inventada a Bossa Nova e a MPB (Na ditadura militar esses ritmos se intensificaram). Posteriormente, no meio do século, o sertanejo com seus violões de 10 cordas abrem suas portas para contar o cotidiano nas fazendas por onde passavam e viviam. Um pouco mais adiante, em meados da década de 80, o rock nacional se faz com mais força com suas letras desafiadoras cravando confrontos entre a sociedade e o governo. Todavia no fim da década de 90 e no começo dos anos 2000 as músicas que contavam o dia-a-dia das pessoas começam a perder forças e inicia-se o período de sertanejos universitários, funks, forrós e bregas, nos quais resistem nesses dias e são redigidos assuntos relacionados ao amor cego – não mencionado na Bíblia – e cantado letras sobre sexualidade.

     A História da musica gospel no Brasil nos conta que no início do século XX (quando foi permitido a liberdade de culto) eram cantadas canções somente nas igrejas e eram seguidos hinários enumerados liturgicamente. Ao passar do tempo, em meados dos anos 60, grupos de louvor começaram a gravar discos com canções compostas por eles mesmos que provocaram diversas reações nas pessoas, pois nunca havia sido composta alguma musica para louvar ao Senhor que não fosse dentro da igreja. Na década de 80 surgem as carreiras solos da musica gospel brasileira; a princípio com letras escritas em adoração e sobre o cotidiano com Deus. Porém, igualmente no fim dos anos 90 e no inicio do século XXI, o gospel se popularizou e atualmente é cercado de glamour, fama e alguns consideram que se tornou “modinha” na sociedade.

     A precariedade da musica no nosso país, está em um estado alarmante. A geração do fast food ouvem as composições atuais – canções como “Ai se eu te pego”, os bondes da vida e recentemente “Lepo Lepo” – normalmente como se ser individual e sexual fosse algo de praxe. A reação provocada em quem ouve tais produções é a mesma dos assuntos relacionados ao tema, ou seja, ouvintes do mesmo ou vão se isolar ou praticar o ato sexual (o amor cego) com mais frequência e após o ocorrido, sentir-se enormemente frustrado considerando simplesmente normal.

     Particularmente, o meu gosto musical vai além das fronteiras. A música folclórica sempre fez e sempre fará parte da minha vida. Ouço com frequência composições de países andinos com seus instrumentos milenares e poemas sobre a vida e a natureza, gosto de apreciar um bom MPB e uma Bossa Nova expondo o cotidiano do ator, estimo o pop rock inglês dos anos 80 por ser produções críticas de diversos assuntos e por fim tenho muito prazer em escutar a musica gospel antiga que traduz a perfeita adoração ao Criador.

     Hoje, a musica brasileira vive o seu funeral, não há letras o suficiente para nos proporcionar um pensamento crítico. A maioria, senão todas, das composições atuais nos trás a percepção de individualidade e sexualidade como se o mundo girasse em torno disso. Os músicos e os compositores (se é que hoje existem) devem se conscientizar de criar poemas para provocar reações nas pessoas e não inventar todos esses lixos musicais, literalmente. Será que precisamos reviver a ditadura militar para provocar criações de musicas inteligentes? Será que nunca vai mudar? Será que sempre vai piorar? Será que existem pessoas que pensam de maneira semelhante a esse artigo? Será que existem pessoas que querem mudar o mundo usando o bem (ou a musica)? E como diria Renato Russo, será que vamos conseguir vencer? 


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